quarta-feira, março 03, 2010

Perdição…

Caio, olhando para as minhas mãos e procurando nas linhas que as compõem por entre as feridas, a resposta para a verdadeira liberdade do meu ser.
Apenas quero ser eu, voltando atrás num enorme processo de rejuvenescimento, desejando que a imunidade a que me vetam se desvaneça e jamais perdure.
As vozes que me ecoam, soam a uma espécie de aragem interior, arrefecendo-me e gelando os sentimentos que outrora surgiam por acaso e quase instintivamente. A ruína a que os corpos se acomodam, dilacera tudo ao nosso redor, provocando preocupação, incredulidade e inoperância diante de tamanho aconchego. Talvez se no meu corpo pegasse e o viajasse para um outro extremo, poderia vivê-lo de uma outra forma… Contudo e no fundo, bem sei que tudo não passaria apenas de uma questão de tempo! O mesmo peso morto voltaria a colhê-lo e a deixá-lo cair como uma pedra rolando sobre a mais intrépida das ladeiras. Olho para cima no momento da queda, beijado pelas gotículas do infinito, sentindo que o mesmo me sufoca e eleva… Voo sobre ele, desejando-o, querendo-o, fazendo dele o perfeito meio de transporte para os sonhos de uma vida, ainda que no mesmo trajecto saiba que sozinho nunca estarei.
Aqui me encontro, num outro dia que novamente nasce, desaparece e me consome. Receio que o avançar dos mesmos me encaminhe para o desconhecido, também aqui desejando que algo ou alguém por lá estejam quando o alcançar. Novamente, a mesma aragem interior que me ecoa e arrefece, faz-me pensar. Se a mesma apenas aquecesse, estaria de passagem e nunca teria a capacidade de me fazer cair. Se a mesma fosse apenas tépida, jamais sentiria as feridas por entre as linhas das minhas mãos neste chão… Se a mesma não existisse, nunca estaria aqui!

2 comentários:

Anónimo disse...

Se a mesma apenas aquecesse, estaria de passagem e nunca teria a capacidade de me fazer cair. Se a mesma fosse apenas tépida, jamais sentiria as feridas por entre as linhas das minhas mãos neste chão… Se a mesma não existisse, nunca estaria aqui!


Se,se,se... Esta palavra é demasiado hipotética, mas imprescindível para o sonho...

Mary

Felina disse...

Os teus textos são sempre inquietantes...

beijos