terça-feira, fevereiro 14, 2006

Posses !

Não poderei ser amante, sentindo-me como que assexuado e preso a uma corda de amor...
Dificilmente viverei sem ti de uma forma ou de outra, admitindo que jamais serei ou conseguirei ser o que és, o que somos e o que sou a teu lado. Nem acabamos por descortinar um desfecho, uma solução final ou um epílogo directo, mantendo em ambos a viva esperança, de encetarmos o tratamento para esta contaminação que aos poucos nos consome e destrói.
Não posso ser os teus sinais, viver os teus ímpetos, sentir os teus impulsos nem tão pouco ser esse teu gelo que se acumula e amontoa, formando um icebergue de frieza e ríspidez, onde gostaria de adornar essas orlas e extremidades que tanto nos perturbam... Poderia ser o teu apocalipse e viver cada uma das nossas insignificantes vidas em ti, em mim próprio, tendo nele o bater de exterminação, ruína e perda total. Jamais serei como tu e nem mesmo esse ser abominável e hediondo que tanto pareço ser e a algo se assemelha, se conseguirá convencer ou transformar num amor distractivo que se atreve a tocar os limites da demência. Nunca serei a tua absolvição, ou o trajecto na cadência do teu consumo.
Não consigo...

quinta-feira, janeiro 12, 2006


Trilhos !

Trajectos difíceis quando os percorremos sós, doendo e ferindo sempre mais, quando nos dilaceram os sonhos imaginados e sentidos por uma vida de espinhos e farpas cortantes...
Em cada novo porto de abrigo sentimos novas intempéries, onde parámos para buscar uma paz interior, que nos fortaleça o íntimo e nos faça seguir em frente. Deixando as perturbações que nos assolam e atormentam, outras se nos deparam, como uma real guerra que nos quebra o espirito e se nos crava como parasitas em busca de hospedeiro.
No lado de fora das portas da vida, dir-te-ei onde acabarás, bastando que apertes a mão de quem ta estender e sigas o caminho e o rumo certos, cujo percurso é teu e jamais terá fim.
Esse será o teu lugar, onde serás tu e o teu refúgio, onde te sentirás livre, em casa e onde desejarás estar...
O trilho é arduo e longo, cada passo é um começo, sem pausas ou paragens. Apenas barreiras nos prendem a consciência e apesar desta constante perseguição, não creio que ninguém saia vencedor. É um rumo intenso, demorado e intransitável, duro como um inferno de fogo, mas é nele que habito e sobrevivo. Que na primeira gota de sangue por mim derramada, seja o começo do meu trajecto, onde dia e noite luto para me manter vivo e viver a vida, sobrevivendo!
Cristais !

Começa com um sentimento puro, esta vitral segunda visão.
Sem alucinar ou imaginar, capto o meu futuro nesta roda da fortuna que se desvenda diante de mim. Parecem honras ou hostilidades abertas, apenas destinadas a loucos e insanos.
Através deste vidro visível, viajo e deambulo, controlando uma máquina perfeita de imaginação, realismo e demasiada crença. Será que tudo isto, terá o condão de acontecer, ou manter-me-ei na expectativa de nada se realizar e tudo ser negado ?
Realisticamente, a necessidade de me agarrar a modelos gastos, leva-me a mais uma experiência, sendo esta apenas mais uma em que acredito e em que julgo poder trazer-me uma vida mais brilhante. Adivinha de horrores, excepcional por vezes, através de detalhes quase sempre revisitados, sinto-a alinhada com o prisma da morte, como um olho de cristal, onde somos vistos como seres débeis e estáticos, mantendo-nos hipnotizados no seu interior.
Antes do "grande acordar", o erro persegue-nos, como que a contar segundo após segundo, um despertar mais intenso para a realidade que nos atormenta. Nada deverá acontecer ou se algo por acaso se suceder como uma matéria coincidente, nunca te porei em causa, como uma fraude que sejas ou um objecto de mero uso decorativo!

sábado, dezembro 17, 2005

Coração de pedra !

Tantas vezes passas ao meu lado e sem me ver, te deixas amparar noutros braços. Tento fingir que não vejo, porém sigo como um tolo enciumado e apaixonado. Quem me dera estar contigo e ser o outro, tendo-te nestes braços, que te amam e loucamente te desejam, por um pouco. No fundo, o desprezo é tanto, que a dor se sobrepõe ao sentimento e a vontade de te abraçar, faz-me ter por ti o maior desejo que algum dia senti. És simplesmente o que mais quero neste mundo!
Será que sentimos verdadeiramente, ou sabemos o que acontece, quando alguém que amamos nos esquece? Aos poucos, eu me acabo, vou morrendo, terminando este sentimento, sentindo que o teu longínquo amor, me transformou num coração de pedra, gélido e sem capacidade de amar! Olha para mim, uma vez que seja, antes que me vá sem conseguir sorrir...

terça-feira, novembro 29, 2005


Lamento !

De tanto correr pela vida sem qualquer freio, esqueci-me que a vida, se vive num momento. Omiti detalhes que julgava serem insignificantes, pela enorme vontade e sede de querer ser em tudo primeiro. Brinquei com os sentimentos, vivendo da loucura envolta pelas ilusões. Gritei pensamentos ao acaso e ao vento, deixando de ser o que sou, vivendo agora sem sentir. Canto ao amor chorando pelos sonhos, sentindo-me sem coração, energia ou razão objectiva para prosseguir. Lamento continuamente ter brincado com o que mais queria, desperdiçando e perdendo sem me aperceber tudo aquilo que outrora foi meu e sem esforço atingi. De tanto jogar com a verdade e a mentira, enganei-me sem saber que era eu quem perdia, fracassava e a ruína perseguia. Roubei tempo ao tempo, querendo ganhar dias e noites em sonhos, apenas por querer descobrir a cada dia algo novo. Muito esperei e em que por nada oferecer, hoje fico a chorar, recordando o tempo em que levianamente sorria !

quarta-feira, novembro 23, 2005


Mantendo-me vivo !

Como uma tempestade de trovões cuja dissolução de aproxima rapidamente sem aguentar qualquer outro revés, jamais me será possível vacilar ou ajoelhar diante de um outro cenário destrutivo... Rastejar como serpente doentia, assemelha-se a um contexto puramente insano e nele apenas me permitirei localizar num estado demente e corrosivo.
Mantenho-me vivo, velho, vulgar, gasto e cansado, embora suficientemente hábil e ciente para pisar o meu próprio chão sem no entanto haver algo para revivificar.
Tento lavar e extinguir todas as imundas e hediondas mentiras que me lavraram a vida, a decompuseram e abandonaram o meu crépito viver, á mercê de seres necrófagos que me trairam e deixaram extraviado o meu percurso. Parti para distante, num tempo obscuro e embora ainda os consiga sentir respirar, jamais conseguirão o melhor de mim...

quarta-feira, novembro 16, 2005


Exausto !

Talvez seja esse místico homem, de duas cabeças que se espetam pelo tronco e vivem aprisionadas num só corpo... Uma olhando para trás, a outra para baixo e em nenhuma delas se consegue decifrar e compreender.
Quiçá seja também, esse abominável e legendário ser de quatro mãos, que toca, que cura, estrangula e possuí, não conseguindo em nenhuma das suas acções, realizar qualquer tipo de prática que o satisfaça...
Sinto-me exausto, por estar num lugar onde nunca estive e por voltar de um lugar que nunca senti. Esqueço-me de quem sou, cansado de o ser... Esqueço-me do que sou, embora cansado para me deixar. Sinto-me um homem de duas palavras, que deseja saber quem é, que se perdoa sobre o que é... mas insiste !

quinta-feira, outubro 27, 2005


Gerações de vaidade!

Irrita-me constantemente esta geração de teenagers dos anos 2000.
Não será certamente por uma questão de inveja ou de mau estar perante as idades ou os novos tempos, mas pelas atitudes rascas de uma geração que um dia mais tarde tomará conta dos nossos destinos. Julgam-se uma espécie de aristocratas, de pensadores do mundo actual, de donos da razão, da sabedoria, da inteligência, da educação e apesar de ser neste mundo que vivem e fazem parte, continuam a olhar em demasia para a sua sombra e umbigo, mantendo sempre a secreta esperança que sejam olhados como seres superiores.
Fazem-no com a vaidade, no acesso a modas, no consumismo exacerbado e julgam justificar desta forma, o mérito que os alimenta e tanto os envaidece. Atitudes de humanismo, de educação, de boa vontade, de boa fé e de princípios, não os descreve e sinto-me pobre perante uma geração que cresce à minha volta e apenas amadurece com o acesso a meios artificiais.
É curioso, reparar que estes novos homens e mulheres, "partem" para a vida relativamente cedo. Começam uma vida sexual precoce, julgando descobrir o amor, procuram alguém para com uma presunção ridícula, mostrarem que andam e não namoram e enfeitam-se de mil e um ornamentos ou objectos, por acharem que é ser mais crescido. O que dizer, quando se vêem autênticas crianças, com decotes generosos, com piercings, penteados, com certos tiques e postura de etiquetas, com roupas de gente grande ou com vestuário muitas vezes descabido à sua interior maneira de ser? Apenas querem ser grandes!
Aposto que por detrás de tudo isto, não passam de meninos parvinhos, que não são capazes de lamber as próprias feridas quando caem, que não conseguem ser suficientemente homens ou mulheres sem o equilíbrio de pessoas mais velhas, sendo o mais repugnante de tudo isto, a forma grosseira e altiva com que por vezes troçam e reparam nos idosos, nas pessoas da província, e em tantas outras gentes que entendem ou julgam, serem seres inferiores. Não direi que os progenitores sejam os principais culpados, mas também encontro paralelismo na sociedade que nos sufoca, na televisão, nas figuras mais ou menos públicas, na escola, etc... Geralmente, tomam certos "artistas" como modelos a seguir, pelo que vestem, pelo que cantam e pelo estilo que os compõe, parecendo serem apenas estas, as melhores características para qualquer ser humano. Não me sinto com vontade nem sequer com moralidade alguma, para entrar em comparações com os miúdos dos anos 70, 80 ou 90. A época é outra, os tempos também e a vida que aqui veio desembocar, é de igual modo totalmente diferente. Entendo tudo isto de uma forma perfeitamente normal, mas causa-me antipatia e repugna-me apenas, observar uma juventude de fachada, de vaidade desmedida e doentia, contrastando com muita fraqueza, debilidade e pobreza a nível espiritual e intelectual.
Sinto um carinho muito especial pelos jovens e pelas crianças, mas começa a ser desesperante este mesmo contraste entre os sinais de riqueza e de beleza exterior, com a total abstinência de valores, de códigos de conduta e de personalidades definidas. Acaba por ser uma critica construtiva, bastante pessoal e obviamente generalizando muito, mas cada vez mais encontro exemplos dos que citei, mantendo-me sempre na esperança e com um orgulho desmedido, de encontrar miúdos a contrariarem tudo aquilo que referi. Esses sim, serão grandes !

quarta-feira, outubro 26, 2005



Marcos !

Atingi recentemente a simpática marca dos 50 posts. Não é de todo, um alcance notável, raro ou extraordinário. Muitos dos que se dedicam á escrita, conseguem-no talvez ao fim de um mês ou quiçá em poucos dias, mas talvez se limitem a transcrever factos, a lançarem debates e a comentarem acontecimentos do nosso quotidiano. Muitos desses locais onde se discutem ideias e formas de estar, são soberbos, fantásticos e com acções exploradas ao mais ínfimo pormenor. A muitos deles, presto a minha homenagem e sincero sentido de gratidão, pela forma como despertam o meu interesse ou tocam os meus sentidos. Contudo, neste meu ano e meio de expressão escrita, a minha forma de manifestação, foi sempre diferente. Ousei jogar com os sentimentos, beliscar a mente, ir para lá do visível e explorar tudo aquilo que se encontra na génese humana, muito comum a todos, mas um pouco camuflada. Não o fiz de uma forma leviana ou irreflectida. Muitas vezes, talvez tenha relatado certas situações numa perspectiva muito pessoal e menos abrangente, mas ainda assim, fiz sempre questão de salientar e destacar pontos comuns a qualquer um de nós. Foquei sensações, vivências e formas físicas... Usei termos duros, frios, directos e transparentes, contrastando por vezes, com alguma doçura, suavidade e boas doses de loucura, cujos princípios fazem parte da minha distinta forma de ser. Estimulei a mente, procurando sempre deixar entreaberta a imaginação a critérios disformes...
Jamais tentei que a minha humilde e modesta presença neste local, se tornasse num modelo a seguir. Apenas induzi, que a mesma fosse assimilada por quem consumisse estas linhas e fizesse deste meio, uma forma de meditação, de comparação e de elevação espiritual. Em cada letra, cada palavra e cada frase, existem muito mais do que simples ideias ou conceitos. Nos meus momentos de inspiração, (em todos eles e sem excepção) deparei-me com intensos fluxos de sentimento, de emoção, paixão, entusiasmo e disposição afectiva, tendo vestido muitas vezes um papel de actor, para relatar na perfeição, cada parágrafo com a maior intensidade que me fosse possível viver.
Talvez o fizesse devido à experiência de vida, mas sem dúvida que muito devo ao facto de me manter sempre atento, à vontade de me conhecer e compreender, ao desejo de explorar cada vez mais o comportamento humano e com ele, enriquecer e crescer o máximo possível.
Pela forma como fiz e não deixando apenas de ser um despretensioso ser humano, achei apreciável a cifra dos meus 50 momentos de prazer único, sincero e de muito deleite.
A todos os que me absorvem, espero poder presenteá-los, com mais meias centenas de ideias e conceitos ao longo do tempo... Bem-hajam !

Ventos !

Na escuridão, no medo e nas trevas do silêncio, bem próximo do sono profundo, vivo e alimento um sonho. Invoco-o, alimento-lhe a alma e contorno-lhe o espírito, da mesma forma que os veleiros rasgam as águas e dominam os ventos. Pareço ouvir o cantar de anjos neste sigiloso descanso. Repouso num lugar bem para lá do Sol, através de um céu límpido de ruidos e impurezas, encontrando apenas um pequeno caminho luminoso por entre uma escuridão funesta e hedionda.
O meu sonho, assemelha-se a um sussurro, a uma luz de vela ou a um pequeno feixe brilhante que apesar de insignificante, liberta um fluxo tão radiante e intenso que me permite expandir, alcançar e ser observado sem que me dê conta disso. Olho no seu interior, vejo os tumultuosos e desordeiros ventos que o alimentam e sem me deter, acredito cegamente que serão ventos de fortuna, de mudança e de orientação. Deixo-me levar, voar e levitar para bem longe...
Elevo-me para lá de um arco-iris de cores reduzidas e direccionadas, procurando apenas a cor cintilante do ouro a que me proponho obter. É lá, que encontro o início de uma estrada, onde qualquer outro iria terminar, para relançar a minha essência e dar continuidade a algo que não consigo aceitar como um fim prematuro. Contudo, é também aí que os ventos se confudem, misturam e colidem, fazendo com que me arraste, não consiga curvar nem ter força suficiente para manter a minha linha recta de um modo firme e imutável.
Aguardo por estrelas cadentes, por novos objectivos para acumular e iluminarem o meu caminho. Deixo que a minha vida se escreva neste tornado, em nuvens acima e nuvens abaixo, deixando o vento ocupar o meu céu e poder empurrar toda esta nebulosidade que tanto me prejudica. Quando assim acontecer, terei o caminho desbravado, solto e livre para caminhar de encontro aos meus sonhos, tendo a certeza que dias de tumulto ou demasiado radiosos, não resistem nem se fixam eternamente.
Cerro ainda mais os olhos, novamente em busca das minhas aspirações e sentimentos, sentindo apenas a leve brisa dos meus ventos utópicos e de desvario. Imagino, acredito e alcanço, não só por mim ou pela vontade própria de me controlar, mas porque as direcções a que sou muitas vezes vetado, induzido e pressionado, também me incapacitam e precipitam decisões. Sonhemos e deixemos que os ventos, por nós decidam...

domingo, outubro 16, 2005

Desprezo !

Será que nunca te cansas de te dares em demasia? De seres sempre tu, a tomar a iniciativa das coisas, não apenas para teu proveito, mas principalmente porque pensas também nos outros?
Por vezes, dá-me a sensação de ser quase impossível arrancar um simples sorriso de satisfação ou bem-estar, de alguém que se sentiu preenchido por nós. Os agradecimentos são momentâneos e limitam-se a pouco mais do que um obrigado instantâneo, devido a um silêncio monótono que se poderia instalar. Torna-se extenuante e desmotivador, quando nos colocamos no fio da navalha, deixamos de parte tarefas e funções pré-concebidas da nossa própria realidade e vamos ao encontro e em auxílio de quem por nós invoca.
Talvez o façamos por princípios, educação ou forma de estar na vida perante os outros, mas ganha muito sentido e cada vez mais terreno em nós, uma vontade fria e gélida de deixar tudo ao acaso e fazer com que cada um se vire por si. Outras situções nos se deparam, quando urge a necessidade de nos mostrarmos, de aparecermos e de nos tornarmos visíveis.
Vociferamos com intensidade, erguemos a sombra e destapamos o olhar com o intuito de manifestarmos a presença, de dizermos que estamos vivos, em bem e que queremos que a nossa preocupação perante os demais, seja sentida como uma forma de acompanhamento. Torna-se enfadonho, monótono e fatigante, quando perante o nossa assiduidade, apenas temos de volta o nosso eco e não sentimos um sinal do nosso receptor. É desmotivador, quando sentimos que além de não sermos lembrados, parece existir a sensação de total esquecimento e de sermos sempre nós a tomarmos a iniciativa e o começo de um cumprimento. Cansa, quando o fazemos repetidamente e sem resposta... magoa, quando o tempo aumenta e com ele, ninguém nos acena.
Apetece-me parar ! Deixar de cumprimentar, de falar, de conviver, de saber quem se encontra bem e aguardar por quem realmente está comigo, voltando a escolher todos aqueles, de uma forma crua, selectiva e insensível. Que se lixem todos! O importante... sou mesmo eu !

sexta-feira, outubro 14, 2005

Auto-censura !

Abandonado pelo tempo, com um fraco impeto de revolta, deixo que o remorso me vença.
Deixo-me balançar na extremidade do precipício, onde um coração vazio, ressequido de alma e princípios, se estaciona no abismo. A vida racional, consome-me e tira proveito deste carácter necrófago. Parece-me o inferno, onde Judas é a noite desta decadência que me habita. Eterno inferno, como as chamas de uma chuva ácida, num pecado que não concebi deliberadamente. Para sempre viverá em mim, anexado com a dor e o sofrimento que me crava e esculpe a consciência, a culpa e o nojo neste corpo que me compõe.
O choro compulsivo, a mágoa constante e o peso interior, acentuam-se e nem o tempo parece fazer esquecer. Descanso acordado, perguntando-me continuamente sobre a intenção dos meus gestos e acções, que como um qualquer larápio, me levaram o milagre da vida. Voltar atrás no tempo, remediaria. Fazê-lo em consciência, remendaria!
Nada poderei fazer. Perseguir-me-á eternamente até á morte... para sempre !

quinta-feira, outubro 13, 2005

A lei do amor...

É a ti que te amo, na mais bela aura da vida...
De que me vale percorrer as formas, a intensidade e o realismo do amor, se nem consigo quantificar o valor do tributo que lhe presto? Por ele te encontrei, te toquei e senti de uma forma tão pura quanto sincera. Derrubá-lo, é agigantar-me peranto algo que não me atrevo a fazer... Erguê-lo, é ver-me na pequenez de um todo, dificilmente atingível na sua completa plenitude.
Talvez me encontre numa forma de respeito, de temor ou receio. Talvez encontre uma certa estupefacção, a cada novo caminho que escolha. Nele me meto, inicio e termino contigo, sem que me encontre abandonado ou esquecido. Ardendo como fogo, ao longo da minha singela existência, a luz ténue mas constante e o calor exasperante, prova-me o que sinto. Torna-se evidente, responde-me e afirma-me, o acto de viver. A confusão habita, o consolo impera, mas a razão do meu sentimento, leva-me a admitir o porquê da conduta do meu amor.
A entrega, a dádiva e a partilha, admitem-se pelo coração... O beijo doce, vinca-se com solidez e sente-se demasiadamente intenso, para ser cínico ou superficial. Respondendo-te com altruísmo, apenas digo que... amo-te simplesmente, porque simplesmente te amo !

quinta-feira, outubro 06, 2005

Ser ou parecer ?

Sou o que pareço, mas para mim sou o que sou.
Não seria bom se todos pudessemos viver num mundo em que as máscaras sociais não tivessem razão de ser? Meditai e transcrevei...

domingo, outubro 02, 2005

Humor...es!

Em muitas circunstâncias, damos por nós envolvidos em situações de imensa graça e cheias de humor. Muitas delas surgem espontaneamente, outras são preparadas com o propósito e o intuito de nos fazerem rir. Contudo, as melhores de todas, serão certamente aquelas cuja inocência ou de alguma forma ignorância, nos deixam abismados e atónitos, com a tamanha barbaridade do que foi praticado. Acontecem situações, de verdadeira loucura saudável e por vezes, chega a ser lamentável a forma como nos servimos dos outros, para cobaias da nossa chacota ou gozação. Temos certamente, inúmeros casos de episódios engraçados e caricatos para relatar. Aliás, durante toda a nossa vida, recordamos alguns deles com um sorriso especial, quer pelas recordações ou pelo estado de espírito bem disposto, que isso nos proporcionou. Recordo muitas estórias com um gostinho especial e cada vez que me debruço sobre elas, penso no momento de mau estar que isso tenha causado a quem as protagonizou.
O que dizer quando alguém afirma inocentemente que o escroto (saco cutâneo que alberga os testículos), fica em Lisboa, julgando ser um qualquer lugar, de qualquer bairro? Ou o que pensar quando ainda existem pessoas que acham que a Internet, se encontra fechada a partir das 22h e apenas funciona nos dias úteis? Para já não falar dos casos gritantes de utentes anónimos da Via Verde, que não compreendem o porquê de ser necessário substituir a pilha do aparelho, pois juram a pés juntos, terem acabado de colocar uma bateria nova no seu veículo!
Isto é apenas uma milésima parte, de casos "inocentes" que testemunhei, e com eles, veio o espanto, a incredulidade e ainda a dúvida sobre quem estará a gozar com quem. Muitas vezes usamos figuras, personagens e caricaturas como objecto de sátira, ironia ou troça e adaptamos-lhes estes factos reais. Usamos as loiras, os negros, os ciganos e tantos outros figurantes de uma forma cruel e mesquinha, para conseguirmos reproduzir o que na realidade parece ser irreal e nada demonstrativo de um ser humano, dito normal. Entra aqui também um pouco da experiência, das vivências, da maturidade, do desenvolvimento social e da cultura geral. O que será conhecimento para uns, não será certamente para outros, visto ser este ponto demasiado vasto e daí, ser-se fácil troçar com quem não sabe o que sabemos e vice-versa. Ainda assim tenhamos a liberdade de reflectir, pensar e meditar que há limites para tudo. Haja no entanto, bom senso para abranger e tentar compreender o porquê de certas afirmações ou atitudes que julgamos serem absolutas aberrações e englobá-las no contexto adequado, para que todos tirem o respectivo proveito, sem ninguém sair demasiadamente prejudicado!
Talvez até eu, seja motivo de chacota pelo muito pouco, que julgo saber...

sexta-feira, setembro 30, 2005

Caixas !

Que absurdo e estranho é este mundo que habitamos...
Sem ligarmos aos outros seres que coabitam connosco, paremos um pouco para pensar nos utensílios, objectos e construções que nos servem de auxílio e suporte para uma vida supostamente melhor. Basta por exemplo, olharmos para o lugar que nos serve de abrigo, nos aconchega e conforta e ao qual chamamos, casa, lar, ninho, ou o que quer que seja. Apesar de ser nele que nos sentimos com total privacidade e bem-estar, não passa de um amontoado de pequenas divisões, compartimentos e separadores labirínticos. No fundo, o que tento tentado entender, é que toda a nossa vida é feita dentro de caixas, de pacotes e de moldes mais ou menos antagónicos e em nada defensores do ar livre e "espaço aberto", que os seres vivos tanto necessitam para se expandirem e libertarem. Até nos momentos de suposto divertimento e lazer, nos remetemos a esta espécie de arrumação mórbida de clausura e recolhimento.
Dentro do meu apartamento, encontro-me cercado por paredes, por um tecto que me sufoca e esmaga de encontro ao chão e de uma minuscula área de suposta liberdade, que ainda assim me limita o ar que respira e o infinito a que me permito alcançar. É nesta espécie de formigueiro que habito, com vizinhos, com amigos e até familiares... Todos juntos, todos prisioneiros de um material que nos protege e esmaga pela dureza das suas formas.
Bem cedo, liberto-me da minha caixa-mor, entrando numa outra que me permite mover e circular de encontro a tantos outros locais cujo destino me proponha a alcançar. Talvez seja esta mais agradável, porque me movo, porque posso ver e respirar de uma outra forma, ouvir algo mais e estar mais atento, mas ainda assim me encontro novamente cercado de materiais que me blindam a passagem para o exterior. Mais uma vez, parto ao encontro de mais um depósito fechado, seja para trabalhar, fazer compras ou até mesmo um lugar de diversão. Esteja onde estiver, parece que a necessidade de estarmos encerrados em compartimentos exíguos se acentua cada vez mais e de uma forma severa, tal e qual quando se pune uma criança e se a manda para o quarto. Não estaremos também nós mesmos, fechados num quarto, de castigo e pagando pela imoralidade dos tempos modernos? A única forma de libertação, surge quando procuro um contacto directo com a natureza. Aí, expando-me. Liberto-me de uma prisão ofegante e permito-me erguer os braços, correr e gozar de uma liberdade raramente conseguida neste mundo artificial. Que malditas caixas haveriam de ser construídas para nos colocarem...
Apesar de livres, somos bem mais prisioneiros do que aquilo que pensamos !

segunda-feira, setembro 26, 2005



De volta...

Em grande parte das nossas vidas, surgem por vezes momentos de reclusão bem próprios das nossa vivências, das nossas experiências e até mesmo de necessidades internas do nosso ser.
O meu caso, não é de todo excepção e durante este tempo, muita coisa foi pensada, assimilada, apreendida e sem dúvida que isso me fez crescer. Talvez não tanto como gostaria, é certo, mas se a busca incessante de aprendizagem e a constante procura pela perfeição, não fizessem parte de mim, jamais me teria recolhido e nunca me conseguiria ter alheado de muitas e tantas outras coisas, que povoam e consomem o meu quotidiano. Por vezes, o recolhimento a que me sujeito e submeto, é deveras ambíguo e atroz. Sinto-me despido por um vestuário que me aconchega e me dá aparência, sendo que ao mesmo tempo, me encontro sufocado por objectos desconfortáveis que me compõem, adornam e me mantém de alguma forma apresentável.
Talvez apenas pareça uma mutilação exterior, ou uma maneira muito especial de dizer que me encontro presente, em construção ou a ser melhorado. Contudo, no meu íntimo, actualizo-me, desfragmento-me e encaixo peças soltas para que o meu espaço seja melhor conseguido. Que choque brutal, por vezes isso demonstra aos olhos de quem passa... É natural e inteiramente justo. Afinal, para momentos de introspecção e construção interior, são necessários colocar utensílios e peças de cariz agressivo, para que o resultado final se apresente melodiosamente belo e perfeito !

terça-feira, fevereiro 08, 2005

Lacrimejante sensação de vazio !

Sentimento obscuro, repassado pela violência de pensamentos. É um choro que toma partido de fases concretas do vivido, do pensado, do sentido...
Se conseguisse, treparia continuamente a mágoa cravada pelo tempo e faria dela uma cicatriz suficientemente resistente a qualquer intempérie manifestada pela vida. De nada me vale, de nada a sinto, talvez pelo gelo que se acomoda no seu redor e ao invés de algo palpável e macio, encontro uma estranha rigidez e uma fraca elasticidade no tecido que me compõe.
Talvez não me magoes, seja impossível, mas ainda assim, vê a intenção e a violência com que ainda me penetras e na profundidade com que me atinges.
Nem te dás conta, é um facto, mas se o coração atinges, é no choro compulsivo que liberto a alma, sangro o íntimo e satisfaço a natural carência com que me debato. Tal como uma lâmina que me provoca um profundo golpe na pele, sentir uma estaca invisível de encontro ao meu ego, é algo doentio, demente e tristemente frio. Existirá sempre tanto ódio naqueles que amamos ?
Direi que sim, que é um ódio de estimação por tudo aquilo que gostariamos de sentir e não temos. Dá vontade de agitar o outro, dizer-lhe o que nos faz movimentar, despertar, enriquecer e ser feliz. Que complicado é sacar um sorriso dos que gostamos, depois de tanta entrega, tanto sentimento e boa vontade. Em troca, apenas a leve sensação do dever cumprido e a triste impressão de termos conseguido alcançar o nosso objectivo. Recompensa ? Nenhuma... Talvez o facto dos novos pedidos, nos faça sentir bem pelo que foi dado anteriormente. No fim de contas, ambos nos importamos com o que nos envolveu, tivesse sido amor, ódio, entrega, dádiva ou retribuição. Talvez as lágrimas que nos correm num sentimento de impotência sejam o melhor de tudo. São elas que nos acordam para novos ideais e nos levam as pinturas reinantes, deixando borrada a maquilhagem que tantas vezes usámos e composémos para sermos agradáveis. Coração partido, deixados num lancil de passeio ou simplesmente com um arder interior, é algo digno de anjos sem asas, que nos caem aos repelões, e voam com afiadas lâminas de ingratidão, uso e despojo. Um dia, fá-lo-ei e quando acontecer, lembrar-me-ei da forma nua e crua com que tudo é sentido, imaginado e inventado pela malicia inocente do interesse e da incúria. Talvez o choro que sintas, te lave de igual modo a decadência e doença imortal do ser humano. Nessas lágrimas, estarei presente pelo sentimento de outrora...

quarta-feira, janeiro 26, 2005

Imagens Reais !

Estranho, quando nos deparamos com imagens e vemos retratada a nossa existência. Pela primeira vez, senti revelada uma vida similar e muito própria em toda a sua plenitude. Pelos factos, em tudo coerente, digna e sincera do meu ser. Muitas vezes, encarnei o espírito de outros e de muitos 'alguéns' que gostaria de ser, mas não desta vez!
Despi o papel de herói que muitas vezes imaginei, tirei o fato de homem corajoso, bravo e aventureiro que gostaria de alcançar... Sempre manifestei a necessidade de entrar no universo das coisas, ir além do que apenas me era visível e palpável, e sentir tudo aquilo que se espelhava bem para lá do meu simples campo visual. Puras imagens, monótonas, agitadas, em repouso ou movimento, traduzem algo bem mais forte e único do que apenas aquilo que se descortina a olho nú. Talvez deste modo, os meus sentidos tenham sido levados ao extremo e me tenham sempre feito sentir como se fizesse parte daqueles enredos, daquelas estórias, daquela arte...
Contudo, o que dizer quando acontece o inverso e vemos que existe uma cópia fiel do que somos? Parece que o conjunto de actores que representam uma peça, que o conjunto de artistas que criam telas, figuras ou meras imagens o fazem em nossa honra, nos invadem a privacidade ou nos usam para seus modelos e inspiração. Quando bem desempenhados, não conseguimos entrar no espirito da arte e apenas nos deixamos fluir e sentir que tudo é um retrato fiel do que vivemos. Pomos de parte a tal vontade de sermos aquilo que vemos diante de nós e agradecemos por não conseguirmos nada mais, do que o orgulho de sermos como somos. Nunca na vida me senti tão agraciado por me fazer entender e embora saiba que tudo o que foi feito jamais terá sido a pensar em mim, a feliz coincidência de ter acontecido, faz-me sentir feliz, muito realizado e preenchido.Talvez seja um grandioso exemplo da minha personalidade e uma forma extremamente directa de apontar como sendo o que sou...

quinta-feira, janeiro 20, 2005

Insónias!

O que te apraz dizer quando não adormeces?
Talvez um universo imenso de questões, de dúvidas, incertezas ou mesmo um atribuir de algo que não é de todo decifrável.Talvez seja apenas algo físico, um ruido imenso vindo do exterior ou uma espécie de poluição vibroacústica, que nem se sente ou compreende. Contudo, acho que chega a ultrapassar uma razão lógica e é-lhe atribuído um carácter bem mais ausente e real da complexidade humana.Parece-me estar a atravessar um desses momentos e a cada novo minuto que vai passando, acresce-me a preocupação de serem sessenta novos e valiosos segundos que desperdiço na minha noite e que subjacente a isso, perco umas quantas células nervosas essenciais ao meu equilibrio diário. Levanto-me do meu leito quente por não conseguir aguentar nem mais uma fracção de tempo deitado. Distraio-me com tarefas normais que faria em qualquer tempo livre que teria. Pego num livro e apesar da falta de sono, o cansaço impede-me de atingir uma concentração completa sobre o tema que escolhi para me debruçar e entreter. Largo imediatamente o conjunto de folhas que havia pegado e coloco-me de novo num outro patamar. Vejo as páginas on-line dos diversos jornais diários que irão sair á rua dentro de poucas horas. Também isso me faz perder um pouco o encanto, pois sem dúvida que a agradabilidade de ler as manchetes pela manhã num qualquer quiosque, me faria sem duvida despertar outro interesse. Ligo a televisão e embora me mantenha entretido enquanto as teclas do meu ruidoso telecomando, me permitem fazer um zapping acelerado, não vejo nada de particularmente chamativo. Talvez sintonizando uma qualquer estação de rádio, me ajude. Faço-o com satisfação e perante um daqueles sons, daquelas músicas dos meus tempos de criança, recordo com interesse e com a lembrança de momentos anteriormente passados. Sinto-me longe daqui... Imagino-me onde estaria quando ouvia aquelas vozes, em que situações me deparava e que sentimento me faria sentir naquela altura. Perante algumas canções, senti algum saudosismo doentio e fases menos boas. Optei por desligar. E agora ? Que vou eu fazer ? Tomar um anti-depressivo, um sedativo, um ansiolítico , ou regresso ao meu leito, mantendo-me imóvel e estático até que o meu cérebro encontre a paz necessária para descansar ? Não sei, mas até o facto de não ter sono, me deixa stressado. Se fosse criança, seria fácil pegar no meu boneco de peluche, ir para junto dos meus pais dizendo que estava com medo, ou arranjando uma qualquer desculpa para o meu mal.
Sento-me na cadeira do meu quarto. Confortavelmente, encosto-me e deixo-me ficar com a cabeça para trás. Fecho os olhos e tento um descanso artificial desta forma. Ainda assim, milhentas acções deambulam pela minha mente. A preocupação dos dias que virão, tudo aquilo que lhes vem anexado, os aborrecimentos dos dias anteriores e que por mais que tente não se apagam de ânimo leve. Talvez pense demais, mas num estado de fraqueza psicológica, tudo me é permitido. Talvez não enfrente a pressão com a força devida e embora durante o dia nada me afecte, é nas altas horas da noite que me sinto frágil e impotente para derrubar um conjunto de factores adjacentes á minha vida.
Acho que se alguém se lembrasse de telefonar a esta hora ou me mandasse uma mensagem de incentivo, ficaria eternamente grato. Qualquer ser humano normal, reagiria de outra forma, mas comigo não. Digam qualquer coisa, por favor ! Não só deixaria de ficar feito parvo dormindo em pé numa cadeira, como também teria um excelente motivo para me manter bem vivo.
É doentio estar aqui! Lá fora vejo uma, duas, três janelas no máximo, acesas, mas de certeza com pessoas a poderem alegar motivos diferentes dos meus.Tudo me ocorre nestes instantes. Falta de apoio, alguns excessos de uma vida por vezes regrada em demasia, demasiada pressão sobre os ombros, vontades de uma sociedade em nos transformar em algo que não somos nem nunca seremos capazes de ser. Enfim... Parece que aqui também não adianto muito e se tudo isto me modifica e me estraga o metabolismo, talvez seja melhor mendigar e deixar tudo ás avessas. Neste momento é o que me dá vontade, mas sei que amanhã tudo o que digo deixarão de ser apenas palavras ou promessas e tudo retomará o caminho natural. Nada disto é escolhido ou premeditado, mas o poder de decisão nem sempre é válido ou correcto. Se a alguém contar esta minha aventura ou epopeia nocturna, levarei com um "vai dormir, que o teu mal é sono" e isso apesar de me fazer esboçar um largo sorriso e me fazer sentir ou achar ridículo, sei que não é de todo correcto. Apenas, são momentos em que por mais voltas que dê, não consigo dormir.
Fases naturais de uma insónia normal nos dias que correm... Amanhã estarei melhor !

sexta-feira, novembro 05, 2004

Realidades !

Observo soturnamente a noite diante de mim.
Como uma espécie de ferida que se tenta fechar e sarar, penso no curativo ideal que me faça voltar a tempos em que a auto-cura era um processo intempestivamente presente.
Reparo na força e na vontade dos actos, sem sequer me preocupar em entender como tudo acontece, se realiza e regressa ao ponto de partida.
Recordo toda a vida perante o meu olhar, chovendo e infiltrando-se de novo em mim de uma forma gélida, omissa e grotesca. Lágrimas de nuvens passageiras que se precipitam através de uma pluviosidade natural, vão descendo pelo rosto e destilando a minha noite que vai desaparecendo. Pela manhã, surgirá um novo dia, onde a felicidade reinante de alguns, me trará pensamentos e me fará ter memórias nunca concebidas.
Talvez uma confusa demência se pareça apoderar de mim neste momento. Contudo repousar no útero pouco original em que se vive, faz-nos observar para além do previsível e com isso, ousamo-nos libertar e alcançar metas muito próprias. Sento-me no topo do tempo, viajo e deambulo ao sabor de uma suave brisa que me traz, leva e por vezes me alcança num mundo de constante mutação e realismo mórbido.
O sonho que de noite parecia real e previsivel, cai na tentação da monotonia. O confronto com a manhã, demasiado físico e grosseiro...

terça-feira, novembro 02, 2004

Make-up !

Pelo reflexo natural de um espelho há muito construído e de certa forma baço e obsoleto, revejo-me a cada manhã de uma forma diferente. Vejo as imperfeições da estética, das formas que me compõem, me moldam e nelas me deparo com um complexo turbilhão de sensações.
Reparo nos contornos do rosto que há muito deixaram de ser os mesmos. Na textura, na cor que o veste e que nele se vai acentuando e acumulando. Parecem ser despojos de uma longa vida assimilada por um curto espaço de tempo. Talvez sinta experiência e sabedoria na pele gasta e usada, mas não deixo nunca de a sentir como uma mera e simples carcaça do interior que me mantém vivo e ciente da vida aí por fora...
Estranha sensação de exibicionismo e vaidade mórbida por algo tão irreal e doentio como a falsa demonstração exterior do que somos. A cada novo dia, o processo de rejuvenescimento interno, ganha novamente uma experiência e uma qualidade intrínseca que nunca é oportunamente acompanhada pelo externo. Surgem-me à ideia, as estranhas sensações da vergonha, do receio, da falsa aceitação pelos outros, simplesmente devido a um não acompanhamento progressivo do mental e do físico. Parece inevitável o recurso doentio de colocação de máscaras, de pinturas jokerianas que roçam e tocam o rídiculo, apenas com o intuito de camuflar o interior e fazer parecer mais afável e agradável. Precisarei mesmo disso? Não me parece...
Lanço novamente o olhar perante o vidro reflector. Toco-me suavemente e pelo meu tacto deixo-me levar. Parece-me bem e lógico, preencher algumas destas lacunas e imperfeições com tudo aquilo que me for mais adequado. Contudo, fecho e olhos e deixo que o meu tacto me acompanhe mais uma vez. Que vejo eu? Nada...
Não enxergo as tonalidades e mesmo os altos e baixos passam despercebidos. Parece um sonho acordado em que a verdadeira perfeição do meu interior, salta e deambula diante mim. Deixo-me levitar por largos instantes. Pareço um ser perfeito, em que embriago todos ao meu redor, deixando uma espécie de contágio saudável á minha volta... Apenas sou agradável. Nada mais!
Pelas inúmeras regressões que me acompanham nestes instantes, sinto-me a sorrir de felicidade e de bem estar. Encontro o ponto de equilibrio perfeito e após o sentir, abro os olhos lentamente e olho no seu interior. Julgo ter visto a verdadeira beleza e nela ter desencadeado um estado de espirito soberbo.
Vejo os olhos sorrirem, confiantes e sinceros comigo mesmo. Apetece-me sair agora, Não me preciso ver... Sinto-me bem !

sábado, agosto 14, 2004

Utopia !

Como desejaria que desviasses o olhar na minha direcção e mantendo a mesma postura que te veste, mostrasses um sorriso rasgado, bem pintado nessa face rosada e dilacerada pelo tempo...
Como me apeteceria pegar-te em meus braços e rodopiar dançando, sorrindo, olhando e mostrando o meu rosto de felicidade aos deuses que me observam e protegem. Seria uma dança de amor, de alegria e de um coração preenchido, deixando que toda esta envolvência se estendesse também a ti e fosse partilhada por ambos.
Fechando os olhos e imaginando essa possibilidade, desejaria que este momento fosse eterno, único e egoísta, para que me sentisse pleno de felicidade e encanto. Se soubesses como me sinto frio,calculista,deturpado, se me visses o interior e o desencanto, se me tocasses na solidão, no medo e no receio, saberias que o teu simples olhar me iluminaria a vida, me deixaria esperançado e me aqueceria o íntimo. Fecho os olhos de novo, preferindo imaginar-te comigo do que sentir que te vejo, passando despercebido e ignorado. Desta forma sei que te encontro as vezes que quero, te tenho a meu lado sob todas as formas e se a tristeza e a dor de não te possuir são amargas, valerá a pena alimentar o meu ego com a tua imaginária existência em mim.
Ver-te-ei de novo, ou é apenas um fugaz encontro pela tua presença física em meu redor ? Não sei. Apenas acredito que enquanto puder dançar contigo e segurar-te com os meus braços, irei desejar que o momento perdure e se estenda pela vida eterna. Dança comigo de novo, deixa-me que te segure como antes, deixa-me que te aperte mais uma vez...
Findo o sonho e o encanto, abro os olhos lentamente. Vejo-te já distante e de partida. Nunca saberei se me olhaste, sorriste ou terás fixado o olhar num outro ponto. Talvez seja tímido, receoso e envergonhado. Talvez não tenha a coragem necessária para te enfrentar e dizer o que sinto. Contudo, estou bem ciente da diferença das nossas realidades. Mundos distintos, ambos complexos e em tudo diferentes, mas com a noção de ainda assim serem similares.
Lamento desejar algo que não consiga tocar, mas enquanto viver e me permitir sonhar com um objectivo próprio, manterei viva a chama no meu interior. Ainda que não toque, saberei que o meu espírito e a minha força conseguiram bem mais que isso e é quanto me basta para me preencher. Mantenho a esperança, a crença e a fé, porque se interiormente chegar a determinado estaturo, faltará um pequeno passo para o realizar...
Voa !

Dentro de ti, lágrimas de pura frustração descem em cascata na direcção do teu íntimo, do teu espírito, do teu coração... O que poderia preencher essa alma conturbada? Talvez nunca o saibas.
Segue-me, entra no meu doloroso mundo, na essência da eternidade, numa mente aberta e ilimitada, sentindo a viagem... voando pela noite !
Quebra, mundo ferido... Queda, mentes doentes sem lugar para pernoitar, ardendo num fogo de mentira, derretendo o gelo da verdade.
Voa, entra no meu mundo doentio, na eternidade...
Voa, abrindo a mente e seguindo viagem.
Voa... pela noite !
Encontrarei a luz e a trarei para bem junto de ti.
A esperança encontra-se perto, o fogo da mentira parece extinguir-se.
Voa... sempre !

quinta-feira, agosto 05, 2004

Atalhos !

Deparando-me com uma encruzilhada em que a confusão e indecisão reinam e pairam sobre mim, por vezes a melhor escolha será tomar um dos caminhos, sem que me venha e lamentar e a criticar por isso. Tomando a esquerda ou a direita, o importante será mesmo saber em qual dos pólos confinei a minha decisão, e nela jamais creditar todo o fracasso ou sucesso que daí me advenha. Independentemente do caminho árido ou suave que venha a sentir, terei sempre de realçar que sou suficientemente hábil e crente nas minhas capacidades, para saber aceitar e viver com exactidão, num ambiente por mim criado.
Ainda por vezes, nesse mesmo processo de escolha, me posso permitir a adquirir um meio termo e nele poder saborear o doce e o amargo de cada uma das partes. Dado a escolher entre as trevas e a luz, escolheria o espaço entre elas, porque me permitiria viver sempre e quando quisesse, mas também morrer quando assim o entendesse. Com isto, faria com que a minha vida fosse algo mais que uma normalidade, transmitindo-lhe um encanto e um fascínio, com uma metamorfose por mim conseguida e em todo controlada. Ainda assim, não deixaria de evidenciar feridas interiores e rasgos superficiais de dor e mágoa, devido a uma vida em que o processo de cura e envenenamento está bem patente no meu subconsciente. O factor humano é pródigo no saber ferir, ser ferido, mas tem na luta e na crença, a força ideal e a capacidade de se alhear do sofrimento, sabendo e buscando incessantemente o antídoto certo para determinadas situações.
Deparando-nos com o abismo, seja por atracção ou refúgio, a encruzilhada volta a fazer-nos companhia, levando-nos novamente a um estado de indecisão doentio e em que a pressão da escolha toma novamente uma proporção gigantesca e ameaçadora do medo e receio que sentimos. Pautados pela razão e pela emoção, resta acima de tudo, conseguir juntar ambos os conceitos e permitir que se encaixem e complementem de uma forma indissociável. Há que equilibrar de uma forma racional e directa, pois se a razão gere, acumula e toma a iniciativa, a emoção é tudo aquilo que deve ser gerido e tomado em linha de conta pela sensibilidade das coisas... Resta-me escolher e seguir em frente, mantendo uma polivalência e uma sagacidade naturais para conseguir contornar eventuais precalços, por atalhos direccionados ao caminho por mim traçado.

domingo, julho 11, 2004

Sentidos !

Bem alto, no topo da colina, jaz uma pequena capela onde é audível o som estridente e melancólico de um velho sino.
Situo-me distante, numa terra árida, em que é palpável o restolho de uma seara de trigo e se podem cheirar e saborear estranhas sensações de vazio, de solidão, mas de muito sossego.
Daqui, há um imenso retrato físico e psicológico por tirar. Daqui, vejo e sinto coisas diferentes, abstractas, reais, porventura demagogas ou mesmo dementes. Contudo, muito naturais.
Oiço o bater do pêndulo no sino. Não vejo quem o toca, o que o faz tocar, nem qualquer tipo de gente. Apenas observo o movimento de vai-vem e a forma como o som perdura e viaja até mim. Estranho, mas parecem abrir-se brechas e fendas pelo solo. Parece que o eco perdura e todo o universo treme a cada batida no metal. Assusta!
Sento-me numa enorme pedra, bem no centro do antigo trigal e começo uma estranha viagem, decidida pelo meu olhar e pelos outros sentidos.
Ainda tendo a pequena capela e o toque do sino como referência, tento abstrair-me das vibrações que se fazem sentir e tento descrever o que vejo. Em baixo, uma nora enferrujada acoplada a um antigo poço de pedra, range e move-se ao sabor do vento e de um minúsculo fio de água. Um pouco ao lado, as canas e as árvores agitam-se de uma forma medonha e indefinida. Ouvem-se os estalidos dos ramos a quebrarem e o bater destes ao chegarem ao chão. Nos campos de cultivo, a poeira levanta-se em círculos e desaparece no ar. Os pássaros desaparecem no horizonte, parecendo apressados e desejosos de sairem rapidamente para outro lugar. Os roedores, saltam e correm de encontro aos seus abrigos, parecendo recear algo pior do que já se sente. Os répteis não se vêem, talvez porque não sejam as condições ideiais para se mostrarem e se fazerem notar. Os seres ruminantes, mantém-se serenos, levantando apenas as cabeças a cada batida, a cada toque compassado do sino e mantendo o olhar desconfiado em qualquer direcção. Os insectos, parece que nunca estiveram aqui, apesar do cheiro nauseabundo da fruta podre que se decompõe, junto ás raízes das árvores.
Tudo isto é muito estranho, assustador, mas indescritível. Olhando para o céu, as nuvens vão-se escurecendo e sente-se que vêm carregadas. Do sol nem sinal, apesar da sua luz conferir ainda uma claridade suficiente para se saber que estamos num final de tarde.
Sinto as primeiras gotas de chuva e o odor da terra molhada pelos campos, começa a fazer-se sentir...
Lá em cima, o sino continua a sua tarefa. Batendo e esgrimindo uma melodia calma mas sinuosa, prossegue o seu método de uma forma natural. Não distingo o que toca. Parece ser tudo e ao mesmo tempo, nada! Não é um marcar de horas, não é um repique de festa e muito menos um toque de sinais. Será que alguém apenas se diverte e agita o enorme objecto de metal? Não sei, mas parece ser o instrumento musical correcto para este dia.
Estou encharcado pela chuva. Deixei-me embalar por este ambiente e por aqui fiquei. O vento acalmou e a água sagrada vinda dos céus, também. Aos poucos a claridade parece aumentar e junto á pequena ribeira, o arco-irís dispara e traz alguma cor a este dia acinzentado que passei.
Soube-me bem estar aqui. Sempre sozinho, sempre acordado e motivado para reter qualquer pormenor. Os seres-vivos que observei, parecem ter desistido de voltar. É lógico, até porque o dia está a terminar e deverão ter-se recolhido em abrigos bem mais seguros e menos vulneráveis a certos riscos.
Ainda assim, acredito que irão voltar, apesar do toque assustador do sino no alto da torre...
Levanto-me e parto eu também para o meu abrigo, não sem antes passar pela pequena capela e também eu fazer soar o sinal da hora do meu regresso. Enfim... de volta a casa !

quinta-feira, julho 01, 2004

Filhos do diabo

Nascido pelo pecado, um orgulho para o inferno onde se trai e alimenta a vingança como um elo entre mundos. Serpentes da morte, amamentam o filho das trevas, alimentando-o e mantendo-lhe o vigor e a robustez próprias de um servidor da tortura, de um escravo do poder e de um legionário do mundo de fogo que habita.
O poder que o veste, testemunha o progresso, sendo a aplicação dos seus sentidos ocultos, uma escolha premeditada.
Nos olhos sequiosos e insaciáveis na busca de almas deambulantes, reside uma força interminável de procura, de desejo e desprezo pelas mais elementares regras ou conceitos éticos das leis morais.
Pelo caos se rege, pelo medo alheio se alimenta e com ele se sodomiza...
Encontra-se junto a ti, estendendo-te a mão com uma falsa ajuda, querendo-te puxar vertiginosamente na sua direcção, para que se alimente dos teus despojos e do teu fraco interior...
Enfrenta-o sem receios e sem virar costas, descobre a forma adequada e correcta de recuar lentamente sem tropeçares.
Desliga-te do medo e olhando-o de frente, apaga esse imenso fogo que o veste e lhe dá cor. Cega-lhe os olhos com a tua frieza e sensatez, resistindo á tentação de te entregares de uma forma fácil e directa. Orienta a tua verdade interior, organizando e arrumando as encruzilhadas dentro de ti.
Torna-te crente do teu íntimo, buscando a ajuda divina se te aprouver fazê-lo e aí encontrarás o caminho correcto e a paz de espírito na vida que vives. Busca a verdadeira alma interior e nela encontrarás novamente o colorido necessário para te preencheres.
Longe, muito longe daqui, saberás encontrar novamente o equilíbrio.
Cruzarás rios, subirás montanhas, descerás vales e saberás enfrentar todo o género de batalhas nas costas de um outro tempo que não este. Age de acordo com a tua crença e reage suficientemente a fim de encontrares o antídoto certo, que te tire do trapézio que te desiquilibra e te faz viver na descrença. A salvação encontra-se dentro de ti, olhando de frente e nos olhos, esses imensos filhos do diabo que te atormentam e quase te fazem cair. A direcção correcta nem sempre está adiante, e embora a facilidade do passo em frente seja tentador, na dificuldade tem de residir o saber, a coragem e a destreza de não virar as costas. Mantendo o olhar intimidatório ao mesmo tempo que se recua diante de algo, é o caminho a seguir.
Novas enruzilhadas virão e com elas, opções, decisões, escolhas e quiçá as respostas e as vias correctas...
Resta olhá-las de frente, sendo vigorosos e vitoriosos perante os tais "diabos" que nos tentam !
Nos olhos da morte !

Em mentes próprias, dilaceradas pelo fogo e onde o demónio é Deus, o olhar de almas inocentes, demonstra duas faces...
O descontrolo, a decadência, fragmentos de um nada, de um vazio sedutor e de escravatura, contrastam com impérios de trevas e vácuo onde as criações interiores deambulam e se arrastam, arruinadas.
A fome, ri-se por dentro... O sagrado não existe !
Perante o olhar da morte e no cume da noite, o juramento de sangue segue alto, sentindo-se sobre ele a proximidade de um novo destino.
Perante o olhar da morte, nada ainda se revela...
As feridas jorram o quente sangue de batalhas efémeras e por mais que se unam, jamais se curarão. O gotejar explosivo e crepitante do sangue, das lágrimas e do suor expelidos pela vida, em nada trará a glória ou a honra no sentido da morte, permitindo apenas o leve saborear da sua perda na luta, na raça e no querer das árduas tarefas conseguidas.
Fluídos perdidos num chão sumido pela permanência humana, jamais chegarão ao paraíso, ao descanso eterno, preferindo-se juntar nas tumbas sobre as quais, repousaremos.
Sangue, escravos da vida, usuários de um corpo sumido, falsos profetas de um nada que prometem e não conseguem, atrevam-se diante o olhar da morte, beijando-a e querendo-a para que a tortura não perdure e se manifeste menos dolorosa...

quinta-feira, junho 24, 2004

Caminhos !

Sentado num canto, arrumo-me entre paredes, completamente desalinhado mas hospedado bem no interior da alma e no fundo do subconsciente. Reparo na noite que cai, entrando-me pela janela e invadindo a pequena divisão em que me encontro. O lua segue alta e com ela, os primeiros feixes de luz trazem á tona uma claridade obscura. Sigo atentamente o recolher de mais um dia, o fim de uma azáfama constante e o términus de uma agitação ruidosa e consequente... Há muito que parei também. Não só e apenas por hoje, mas talvez há muito que o venho fazendo. Parei para pensar, observar e perceber um pouco o ciclo das coisas, não de uma forma racional e lógica, mas procurando respostas em algo diferente, em algo que nem eu ao certo sei se me poderá elucidar.
Apenas quis parar, sentar-me sozinho nesta divisão fria e triste em que o eco perdura, o vazio sobrevive e a falta de vida é agoniante. Limito-me a olhar lá para fora nesta perspectiva, vendo a escuridão tomar posse do imenso universo, e com ela, uns salpicos de pontos reluzentes, brilhantes e minúsculos, acompanhados lado-a-lado pela claridade do luar. Finalmente, a noite está no auge e assim se irá manter por largos instantes, até que o Sol rompa e se faça notar pelo calor e pela força da sua luz.
Levanto-me em silêncio, caminhando devagar e com imensa tranquilidade na direcção da janela e do meu ponto de encontro com o exterior. Olhando para cima, o sentimento é o mesmo que sentira enquanto estivera sentado, esperando por este momento. Tudo se encontra na mesma, desde a escuridão em tons de azul muito escuro, quase preto, passando pelos pontos pequeninos que identificam as estrelas e também, pela iluminação que a lua me tráz.
Baixando um pouco o olhar desde esses pontos mais altos, a visão vai sendo outra. Vai-se tornando diferente, mais complexa e fastidiosa a cada nível que se desce. Repara-se na acção humana, na luz artificial, nos movimentos das terras, nos altos edifícios, nos imensos caminhos que se cruzam e intrometem, e na forma como tudo isso é utilizado como se de objectos necessários á nossa existência se tratassem.
Decifro cada um desses pequenos "objectos" com uma facilidade enorme, distinguindo-os a todos, sabendo os seus nomes, as suas utilidades, os seus fins e principalmente também fazendo deles meu uso. Afinal, sou humano, tenho de viver segundo regras, imposições e conseguir usufruir de tudo o que já existia e tem sido criado á minha volta. Sinto-me cansado por tudo isto...
Satura-me o facto de percorrer todas estas ruas, cruzar-me com os mesmos edifícios, deparar-me com o mesmo género de pessoas, com o mesmo género de problemas, inquietações e receios. Satura-me o facto de não poder nem me conseguir ver livre desta prisão que me obriga a estar aqui e me sufoca constantemente. Satura-me dizer que ainda assim sou livre, mas sempre condicionado a uma liberdade que não me deixa sair...
Apetece-me libertar, exaltar e fugir... Para longe, para perto... não importa! Apenas conseguir sair para algo diferente, para gente diferente, para ruas e edifícios diferentes, para outros caminhos!
Largar tudo, todos e ir em busca de factos, de certezas, de enriquecimento interior. Largar um sedentarismo doentio e carente, sentir-me nómada, viajante no espaço e no tempo e com isso, sem regras, sem imposições ou restrições, aprender, conhecer, crescer e não criar raízes demasiado fortes num mesmo sítio, para que mais tarde não me cortem o tronco, dizendo que deixei de pertencer ali, àquele sítio, àquele lugar.
Ainda assim, esteja onde estiver, bastará olhar para cima, porque a escuridão será a mesma. Os "meus" tons de azul-escuro, quase preto, manter-se-ão inalteráveis, bem como os pequenos pontos brilhantes e bem como a claridade obscura da lua que seguirá alta.
Se um dia me arrepender de algo, que o faça porque o fiz, mas nunca por não o ter feito ou não ter tentado. Bastar-me-á olhar para cima, estando sentado num canto, arrumado por entre paredes, mas perfeitamente alinhado com os meus princípios e hospedado na direcção certa dos caminhos diante de mim.

quinta-feira, junho 03, 2004

Gótica !

Encontro-me no teu quarto...
Situo-me bem no centro, girando e olhando ao meu redor, toda a decoração que o veste.
A ausência de cor, de brilho e de luz, conferem-lhe um ar triste, assustador, escondido, mas ao mesmo tempo um lugar confortável e apetecível de se estar...
Tons de negro, com aspectos e artefactos metalizados parecem conceder-lhe uma sala de tortura, de morte e de meditação. As janelas fechadas, as cortinas unidas, rasgadas e gastas pelo tempo, condicionam a entrada de luz, existindo apenas a luminosidade que é libertada pela chama dos pavios que se espalham pelos cantos da pequena divisão.
A luz morta dos coutos que se gastam, combina perfeitamente com o forte odor exalado pelos incensos que queimam, libertando toxinas e consumindo o pouco oxigénio que ainda existe. É mórbido este ambiente, mas extremamente bom de se sentir...
Ainda olhando á minha volta, reparo nas imagens que decoram as paredes escuras, nos objectos que pendem de todo o lado e vestem tudo isto. Observo pentagramas pendentes, imagens de Szandor LaVey, inúmeros bruxos e crânios humanos, livros do desconhecido, do inquietante e do esotérico, manuscritos indecifráveis e compostos por um estranho e indefinido conjunto de símbolos, sobre os quais não me debruço, nem me interrogo, apesar de me manterem interessado. Numa pequena estante, um série de álbuns negros, alusivos ao medo, á morte e á decadência. Em cada recanto do teu quarto, encontro sensações novas, novos prazeres e novas formas de satisfação interior. Existe uma vontade imensa de me entregar a algo e ser aqui, nesta espécie de lugar de culto em que me encontro, o local ideal para uma nova doutrina e uma forma de exaltação interior.
Oiço em pano de fundo um som assutador, mas plenamente condizente com a realidade em questão... Deixo-me cair bem no centro, sentando-me, cruzando as pernas e absorvendo esta química de sons, cheiros e falta de brilho, enquanto medito e levito perante esta atmosfera. Lembro-me quando via o céu, a intensidade do sol e o movimento das nuvens como que uma visão maravilhosa. Nada comparável com este mistério que criaste e me estás a fazer sentir. Os campos verdes por onde me cruzei, as melodias doces vindas dos cantos dos pássaros são apenas memórias felizes e finitas de uma realidade...
Perante um novo olhar de escuro vestido, em que o chão se pinta de preto e em que os corvos se apoderam das melodiosas canções, deixo de lado qualquer situação de equilíbrio e teleporto-me até aqui... em mente e em espírito !
Continuo a busca pelos meus olhos, agora de um ponto inferior, vendo de baixo para cima e onde me sinto mais consumido, mas menos exposto ás pressões que irradiam deste interior... Reparo no teu leito, onde descansas e te possuis pela carga resultante de tudo isto. É belo, pelos símbolos cravados, pelos sinais transcritos de um qualquer lugar que não identifico nem descodifico. O ranger da porta e uma breve aragem pelas minhas costas, denunciam-te e mostram-me a tua pálida figura.
Diante de mim um rosto branco, sem cor, sem alma e sem vida, apenas decorado e realçado pelo preto que sobressai dos lábios, dos olhos e pela quantidade de adornos prateados que te enfeitam. Sem dúvida, que fazes parte deste mundo... Não poderia ser de outra forma, porque em cada recanto, em cada objecto ou em cada "algo", encontras-te tu, o teu toque e a tua imagem.
Curiosamente, o teu interior para comigo é diferente. Mais brilhante, radioso, simpático e afável. Interrogo-me sobre o porquê de seres assim e tento perceber como és, neste teu mundo isolado, que construiste e decoraste em torno da tua fé. És diferente aqui, mas contigo mesma, na dimensão da vida, na dimensão do teu "culto" e na tua forma de estar. Não te condeno, porque também me senti especial enquanto te esperava. Foi como um acordar do corpo e um agitar do espírito para o lado oculto que me consume e não entendo.
Ver-te chegar, interrompeu-me um conjunto de estranhas sensações que vinha sentindo penetrarem em mim, desde que aqui estou. Curiosamente, o teu sorriso pareceu ter apagado tudo isto e devolvido a vida a algo que parecia não ter condições para tal.
Ergui-me e respondendo afirmativamente ao teu cumprimento, olhei de novo em redor. Tudo me pareceu mera decoração, sem a ambiência ou sensações descritas enquanto me mantive sozinho... Nada agora parece fazer o mesmo sentido e nada sinto sobre o que aqui se encontra. A tua companhia trouxe-me á razão e o teu sorriso não reuniu o consenso de todas as coisas que aqui se encontram. Apetece-me sair, porque já nada disto é igual e se tiver de "vestir" algo parecido, terei de ser eu próprio a fazê-lo. Fizeram-me bem estes momentos a sós, em que parei, meditei e me deixei encantar pelo feitiço do teu mundo. Talvez me tenha levado a perceber porque somos diferentes, porque sentimos necessidade de nos fecharmos em conchas artificiais, protegendo-nos de pressões exteriores, procurando equilíbrio e bem estar de formas nem sempre entendidas por todos, mas sempre justas e concretas. Obrigado por isso...

sábado, maio 29, 2004

Despojos de vida !

Pelo vazio do momento, em que nem a mais ínfima gota de sangue parece fazer sentido, sento-me de cabeça baixa, ocultando o rosto de olhares provocadores e necrófagos, deixando que a pureza das lágrimas me lavem os dois lados da face e me corram pelo peito, purificando um coração duro e corroído pelo interesse de outros.
O suor, é o resultado físico de um calor artificial. Calor esse que me sai dos poros através de um batimento acelerado, estranho e descompassado. Talvez seja da raiva, do desespero e da vontade em libertar o ódio e o rancor. Olho as palmas das mãos, molho-as com a secreção do meu olhar e virando-as do avesso, aperto-as fortemente, como se esmagasse e libertasse uma fúria que tanto desejo soltar...
Interrogo-me continuamente, sobre a dimensão da vida, da utilidade do corpo, da utilização da mente. Não sinto honra, desejo ou algo grandioso... Limito-me a pisar despojos de uma guerra interior, sentida, absorvida, gasta e em nada saudável.
Água benta que me percorre o rosto, lavai e purificai-me o ego, trazendo-me o objectivo porque tanto ambiciono, sem o conseguir sequer identificar ou distinguir. Quem sabe, se sentir o sangue que me fervilha sobre a pele e o derramar por uma causa, possa atenuar e compreender.. Talvez uma pedra jazida sobre o cadáver, não seja desonroso nem sinal de fraqueza ou impotência. Talvez um sinal de uma força sobre-humana para a aguentar, sobre o corpo morto, gasto e usado pelas amarguras, pelo sofrimento e pela falta de auto-confiança e amor próprio... Ser o mais forte, sim... Até neste sentido sei que o sou !

quinta-feira, maio 27, 2004

Morte-viva.

Ver-te-ei nos meus sonhos, entrarás neles de uma forma proibida, horrenda e assustadora... Abraçar-me-ás com o teu corpo putrefacto e com o medo, simplesmente me poderei deixar levar. Pela aldeia, os mortos descansam, os vivos receiam e as estranhas criaturas entre nós, deambulam e cambaleiam vindas de todo o lado.
Apenas tu nos poderás livrar delas, eliminando-as e restituindo o sossego e a paz em tanto desejada. Só aqui, no nosso recanto nos sentimos bem e protegidos. Justamente aqui, ninguém entra sem permissão de nós mesmos ou da pura vontade de quem quer estar connosco. Não te quero, não te agradeço, porque também te odeio e em nada me trazes de bom. Soas-me a um mau prenúncio, a um medo legítimo pela figura que ostentas e isso deixa-me sem pinga de sangue. A mesma falta de sangue dessas criaturas que connosco co-habitam e há tantas gerações fazem parte do nosso imaginário real.
Que fizeste tu, a uma cara-metade que te compunha, te vestia e não deixava a descoberto a tua pele irrascível de sentimentos e nobreza ?
Foi a tua falta de amor, de afecto e excesso de frieza que a levaram a procurar outros caminhos, novos desenlaces e a um preenchimento colectivo que nunca lhe proporcionaste.
Se a substituiste pela morte, é credível que te venha buscar, venha ter contigo e te cobre aquilo que lhe é inteiramente justo... Porém e apesar da morte que a acompanha, está bem viva. É na monstruosidade da imagem que foi construindo e se moldando em seu redor, por tua pura e única influência, que sente ciúme, não te perdoará e muito menos a quem te acompanhar.
Procuras agora, o mesmo amor que não deste, nessa primeira que te apareceu e é com ela que incitarás a vingança e o desejo de cobrança! Entrega-a quando estiveres diante deles, porque a alma que te veste e mantém, é podre e de nada poderá valer.
Procurarás o mesmo refúgio, o mesmo recanto para te protegeres, mas será tarde...
Negar-te-ei a entrada, para não provocar em ti o que tantas vezes fizeste noutros e deixarei que eles se regozijem contigo, te consumam e te deixem fazer parte deles.
É contudo o teu mundo, meio vivo, meio morto, porque mesmo humano, nunca senti que fizesses parte de nós... É justo que nos odeies !

quarta-feira, maio 26, 2004

Deep inside...

Por vezes, existem momentos em que devemos dizer adeus, partir, reagir e saber encarar a despedida como algo a existir, fazendo parte da vida e do momento...
Embora seja uma dor crúa, fria e sentida, teremos de tentar aprender, sabendo que é algo inevitável. Temos noção de plena consciência, que é um caminho, uma escolha, uma opção e um sentimento que nos ultrapassa em larga escala.
Apenas sei que onde estivermos, estaremos juntos, unidos, fortes, resistentes e será essa a força e corrente que nos manterá ligados como a luz de uma estrela. Sentirei essa luz dentro de mim, iluminando-me a vida diante dos meus olhos e saberei que enquanto esse feixe iluminado existir, estarás bem... O coração responde-me e sente as dúvidas que me possam atormentar. É nele que vives, nele que estás e nenhuma distância irei sentir entre nós. Nunca me cairão lágrimas de ressentimento, porque o sentido e verdadeiro amor pela amizade jamais morrerá, viverá eternamente e nem o tempo apagará o que de mais belo foi vivido. Recordar tempos passados, no sossego do momento, mantendo a esperança no futuro... Sei que voltarás!
Respostas

Levantei-me cedo... Quis estar longe de tudo, de todos e apenas concentrado em algo que nem eu sei sequer precisar. Vim até ao mar, junto a uma falésia com uma imensa costa escarpada, parecendo o limite, o fim de tudo ou o começo de algo...
Dentro do meu carro, observo o horizonte. Por entre sonoridades condizentes comigo e neste vazio, acendo cigarros, parto e queimo pedaços de "sabão" que já havia trazido... Consumo este ambiente mórbido, solitário e olhando a imensidão diante de mim, reajo negativamente a qualquer intenção de pensamento concreto e definido. O fumo consome-me e absorve-me ao ponto de adensar ainda mais a cortina diante de mim...
Vou para fora, sentando-me no capot com uma perna esticada e a outra flectida.Componho a gola do meu blazer enquanto procuro a melhor posição para ficar e me sentir confortável... Sinto salpicos no rosto, parecendo uma mistura de pequenas gotículas de maresia com a humidade da neblina. Sabem-me bem, parecendo inclusivé lavar-me a cara e levando-me a acordar, despertando um pouco.
Estranho tudo isto... Nem sei o que faço aqui, o que procuro, o que espero encontrar ou a principal razão de me encontrar neste sítio. Apenas sei que foi este local o escolhido e em nada me arrependo. Tudo é perfeito ao meu redor, para me sintonizar, meditar, buscar uma paz e um sossego interiores sem que pense no turbilhão de confusões em que a minha mente consciente se encontra.
Para turbilhão, raiva e excesso de força, basta-me olhar para baixo, ver a violência com que as marés chocam nas rochas e como se partem e destroiem, juntando-se logo de seguida ... É magnífico observar o espumar das ondas, como se demonstrassem rancor e ódio por quebrarem logo ali... Voltam contudo atrás, de novo se juntam e voltam a insistir violentamente... Dantesco, incompreensível mas muito, muito belo. A forma como as gotas de espalham e desfragmentam, muitas delas vindas de encontro a mim parecem-me dar a resposta que tanto quero. Talvez sem saber e sem pensar, tenho sido a principal razão de estar aqui. Se calhar, é neste ruidoso sossego que estão escritas as minhas soluções... Talvez deva ser assim... Violentando-me de encontro a algo, querendo ultrapassar essa barreira e com a explosão, desintegrar-me para me juntar em seguida. Parece que este egocentrismo termina aqui e me leva a meditar sobre a principal razão do meu núcleo impenetrável.
Olho em redor mais uma vez. Ao longe, os primeiros raios de sol rompem o dia, parecendo incendiar o imenso oceano. O vento gelado bate-me impiedosamente no rosto, assobiando-me incessantemente aos ouvidos, parecendo dizer "acorda... acorda".
Para trás não quero olhar... Sei que foi de lá que vim e para onde irei quando este encanto provisório terminar. Seria bom demais parar o dia... Não deixar que amanhecesse totalmente, que não viesse a tarde, nem chegasse a noite... Por mim, o tempo poderá passar, mas agarrar este momento, não o deixar avançar, seria transcendental... Por detrás de mim, sei que está a escuridão, o medo e tudo aquilo de que quero fugir. Lado a lado, apenas efeitos colaterais que me vêm atingindo e em suma, terei de estar preparado. Debaixo, parecem chegar e vir até mim as decisões, as respostas e os abanões que preciso sentir... Erguendo o olhar e vendo em frente, os objectivos, a vida, o interesse e a imensidão diante dos meus olhos. Nada melhor que os raios de sol reflectidos, para me iluminarem o caminho que terei de seguir, nessas águas turbulentas e agitadas em que me receio afogar e devo aprender sempre que baterem debaixo de mim.
Volto a entrar no carro... O encanto que tanto me fascinou está a terminar. O dia começa a ir alto e pelas regras impostas, há que voltar e continuar... Não quero, mas nada posso fazer...
No entanto, sei que é aqui, neste local, neste sítio, nesta área abrangente á minha volta que estão grande parte das minhas decisões... Em breve irei voltar !

sexta-feira, maio 21, 2004

Princesa...!

Talvez te escreva, pela demonstração de algo que não me seja possível dizer... Sinto que os olhos me trairão se te julgar pela imagem de um simples retrato incolor, pois é a luz interior que irradias, que melhor te caracteriza e me leva a aproximar de ti. Por vezes, julgo não aguentar o que pretendo dizer... Não porque seja proibido ou desajustado, mas pela precaridade das palavras que forçosamente irão fazer parte desse julgamento.
Enquanto a sombra cresce e se molda, mostrando uma figura que adoro e pela qual sinto afecto, as memórias surgem e parecem deambular por entre sonhos silenciosos, fazendo parte da minha imaginação e preenchendo-me com bem estar.
O horizonte, outrora estranho e distante, sente-se mais perto, com ideias, pensamentos, códigos... Na imensidão das noites, perfuram-me o consciente desde o anoitecer até aos primeiros raios de sol. Sinto-te a voz do coração suspirando, mostrando o encanto e beleza da doçura, ternura e afecto da criança ou menina que se esconde num corpo de mulher. Sinto que apenas é trazida á luz do dia pela pura sombra do amanhecer e pela vontade de o fazer com quem se sente agradávelmente disposta e confiante.
Princesa, que visão maravilhosa ter-te por perto... mágica senhora que me preenche os sagrados mandamentos da vida, mantém-me o íntimo quente e protegido, deixando-me com todo este amor, fazer parte de ti...
Linda, nascida como por milagre, ilumina-me os objectivos a um angélico trono de cristal e pureza... Fantasia, viajante dos meus sonhos, rouba-me a essência interior, destilando-a com o teu calor e não me deixes nunca que a tentação de te ter, nos prejudique e faça terminar tudo aquilo que de mais belo conseguimos. Por ti, estarei presente, em qualquer lugar, de qualquer forma... Bela mariposa saída de uma metamorfose conseguida a preceito, sempre sentirei o teu bater de asas, o teu encanto interior e magestoso... Deixa-me ver-te, dizer a importância que me trazes e alimenta. Será um reconhecido e sentido presente, pelos poderes do teu olhar e pela tua coragem de me assumires diante de ti... Mágica senhora, o teu nome sugere-me vitória, preserverança, vontade em seres enorme, maior que a imensidão diante de ti. Agarra o mundo adiante, prendendo-o e mantendo viva a crença e determinação em tudo a que te propuseres... Sente-te na frente, não me deixando para trás...
Adoro-te muito princesa, pela singularidade e permissão de me deixares ser teu súbdito e pela confiança que em mim demonstras.

quinta-feira, maio 20, 2004

O Amor no meu olhar

Na dúvida que transparece, perante o raiar da aurora, o dia irá nascer, rasgar a escuridão, libertar-se das trevas que o assombram, fazendo o sonho acordar, amanhecer e mostrar-se ao som da voz e da luz que por entre os raios de sol, se evidencia e torna brilhante...
Aí, o amor irá chegar, vencer e precipitar, a alma libertar, o espírito alimentar e aquecer, diante de fogos que ardem sem se ver e na luz brilhante do meu olhar, um dia se irá ouvir, o cântico, a entrega e o grito vencedor, porque afinal, parece faltar cumprir o amor que sinto ser o ideal...

quinta-feira, maio 13, 2004

Portugal !

Saudosa Lusitânia... Tão grandiosamente erguida por heróis antigos, tão piamente denegrida por pensadores de um tempo actual, cuja atitude se tinge pela cor de um orgulho estúpido, pela fama consequente e pelo poder conquistado por formas obscuras e puramente egoístas.
Terra-mãe que chama por mim, pedindo-me e implorando com uma força nunca vista, por entre as feridas que há muito brotam do seu interior,que a salve e lhe devolva a grandiosidade que a compõe, que a veste e a caracteriza. Sinto que ela vê em mim um filho pródigo, uma pureza leal como ela... Sente o peso do meu corpo unido ao seu chão sagrado como raízes embutidas por entre as pedras da sua superfície.
Fala-me em cores, texturas, cavidades e formas, muitas delas imperceptíveis, mas sei que ao mesmo tempo são minhas, como algo a defender e a perservar e pelas quais orgulhosamente faço questão de exibir e salientar. Filho único talvez, não pela escassez de irmãos de sangue, que a pisam, a habitam e fazem dela um tapete a ser usado, mas por lhe estar intimamente ligado, quase sentindo-a chorar, perante um olhar tímido e envergonhado com que me mostra os buracos e os cortes no seu tecido.
Sinto-a como um mistério, algo mais que matéria orgânica composta por granito, areia, húmus ou pedaços de manta morta e apodrecida... Em cada pedaço, existem estórias, contos, lendas, tempo, velhice, juventude, seres vivos e não vivos, vida, morte, água, sangue... Tudo isso se nota pela erosão bem revelada pela antiguidade que a descobre. Pareces erguida num trono antigo, em que me sento e desafio quem nos rodeia, em que me ajoelho e te presto homenagem pela singularidade e permissão de fazer parte de ti. Talvez seja teu filho, teu único filho, meu doce e enigmático mistério, mostrando ao mundo que talvez esteja sozinho na minha crença. Chamo-te Mãe, pela vontade de te defender, exibir com orgulho, pelo brio e vontade em te vestir e pela qual gloriosamente irei morrer. Em ti nasci, em ti vivi, em ti quero ficar e permancer enquanto o permitires e quando nada mais me restar, apenas desejarei usar o teu chão sagrado como leito para um corpo cansado e fraco de evocar o teu nome.
As ondas que te batem, clamam e uivam com grandiosidade o teu nome... É a única forma do mar poder dizer que as lendas do orgulho lusitano há muito partiram e pela sua música de encontro ás rochas, canta e afirma tudo aquilo que sei, me enojo e não me atrevo a retorquir. Pelas montanhas, lobos choram pela glória antiga que se estingue e se sente desaparecer...
Talvez seja teu filho, talvez sejas um mistério, talvez tudo isto seja conspiração por algo pouco palpável... Pareces-me Deus, algo sagrado em que tudo o que te compõe é belo demais para existir e impossível de verdadeiramente tocar.
Lamento a tirania, a densa floresta de inconsciência que te criámos e a imensa ignorância com que há algum tempo te brindamos...
Por ti me orgulho, por ti te defendo e por ti luto, erguendo-te ao nível mais alto das terras, ao mais alto nível do Mundo...
Amo-te pátria minha !

sexta-feira, maio 07, 2004

Amor !

Quando a paixão no coração se move,deixa uma emoção que nunca se vai. Não sei dizer como, mas só acontece se uma pessoa com outra voar. Cada vez mais alto, quase além do mundo como desse um salto na imensidão. E não há distãncia não, corre e me alcança... Vem voar dentro de mim para sempre. Se em meu lugar tu estás, se em teu lugar eu estou, tu és tudo o que eu vivo e vida é o que eu te dou.
Se em meu lugar tu estás, nunca vamos ficar sozinhos, não importa onde dão nossos destinos... Por qualquer estrada, sob qualquer céu mesmo separados não vou te perder. Abre os teus braços, manda-me um sinal... eu vou-te encontrar. Sozinho não te deixarei e esse mesmo voo eu farei dentro de ti para sempre. Se em meu lugar tu estás,se em teu lugar eu estou tu és tudo o que eu vivo e vida é o que eu te dou... Se em meu lugar tu estás,como admitir ter limites,duas almas que vivem o que dizem.
Acredita em mim, não há como duvidar se isso tudo que eu vivo existe dentro de nós...Eu e tu, estaremos juntos sempre mais, se em meu lugar tu estás, se em teu lugar eu estou,tu és tudo o que eu vivo e vida é o que eu te dou. Se em meu lugar tu estás, se em teu lugar eu estou, levo-te no meu coração e no teu coração eu vou. Se em meu lugar tu estás, nunca vamos ficar sozinhos, não importa onde vão nossos destinos terás sempre o meu amor...

quarta-feira, maio 05, 2004

Confusa demência...

Todas as criaturas e seres viventes precisam de destinos, conduzindo os seus problemas de um ponto de partida. Todas as pessoas precisam esvaziar a mente, depreciarem-se pelos abismos e encontrarem um ponto médio na consciência podre e funesta que os atormenta... Acho que te consigo ouvir, na manhã em que acordas, sentes o peso em cima dos olhos e não os consegues abrir.
Percorre as milhas que te distam do objectivo, no momento da tranquila existência, consciência e é bom sentir que se pensa na não vontade de o fazer, de o assimilar e nunca executar o que se diz, mas o que se sente...
Nunca te oiço, e isso vê-se nos hologramas que se mostram pelos teus olhos, na vermelhidão rosada do sangue que te sai deles e me mancha a palma das mãos e fazendo-me sentir estigmatizado por brechas que não são as minhas, mas que fazem parte de mim.
Não me sinto tranquilo, nem por mim, nem pela gentalha que se diverte á noite, nas altas horas de diversão, nas quais me hostilizo pela vulgaridade do vazio ,no sorriso escondido e tímido em que faço uma pausa para me saciar no ódio e na demência de um estado doentio e depressivo.
Não me preocupo com diferentes leituras ou pensamentos, até me sinto bem com eles, fazem-me bem e são bons para mim... são puros, decentes e cristalinos quando têm razão de ser e o são por inteiro. Talvez sendo criança, na infantilidade e na meninice, consiga pegar, agarrar e conseguir um pouco desse pedágio que me é insistentemente cobrado.
Talvez uma bebida dopante, alcoolizada, viciada, viciante, dependente me faça bem, me faça pensar na vontade de não o fazer e com ela apenas esquecer, limpando e formatando as formas estranhas e assustadores que deambulam diante de mim e me levam cada porção do brilho natural, do lustro e da luminosidade que me fez resisitir por tanto tempo a uma escuridão inevitável.
Talvez se arrisque a vida, talvez se sacrifique o espírito e o perjúrio em que me insiro... Doce, elegante, suave e nojento... Nojo de uma luz que julgava ser um abrigo,um escudo encandeador e reflectivo de diversas formas de barreiras e etapas que com uma chuva de preconceitos e regras me confronta e revolta.Metade assim se sente, metade assim se encontra... nervosa, duvidosa, confusa, doentia e dolorosa ! Vede os meus olhos, são pequenos hologramas, repara no sangue que me brota da alma, se demonstra no amor e me sai pelas palmas das mãos como se de estigmas se tratassem... O negro apodera-se, o brilho desfaz-se, a luminosidade perde-se e o vermelho do meu interior morre a cada passo que dou no sentido do tempo ...

segunda-feira, abril 26, 2004

Hermético !

Estranho este invólucro que me movimenta, me dá forma e guarda o meu íntimo... Reparo nele como nunca e a cada curva, cada forma e cada textura, me assusto pela forma agressiva e gosseira com que ele me torneia...
Percorro-o com um simples tocar, leve como uma brisa presente... Toda a minha nudez é sentida pelo suave tacto das falanges. Em todos os pontos encontro imperfeições, pontos que mudaria em busca de uma perfeição não muito diferente, mas mais consistente e mais agradável a olho nú.
Reparo nos pormenores dos dedos, nos vergões da pele provocados pelo dobrar dos ossos,no esqueleto que me dá forma, parecendo rasgar a pele e querendo soltar-se da carne que o veste...
A brutalidade dos meus pés... Apesar de pequenos, acho-os feios, tristes e mal feitos. Tenho de os dobrar, juntando os dedos para os achar mais agradáveis e apetecíveis.Gosto do pormenor dos tornozelos, parecendo equilibrados pelos ossos que o compõem, pela curvatura do calcanhar e pela maleabilidade dos tendões...Subo as pernas com o meu toque... Páro tocando e sentindo os joelhos. As rótulas salientes moldam-se consoante me vergo e as movimento. Sinto-as alterarem a forma por entre um aspecto arredondado e outro mais geométrico, mais directo e tridimensional. Algo extremamente rude e dantesco...
Adoro a parte superior, a suavidade das coxas, a rigidez dos músculos, as nádegas firmes e macias. A ausência de algo duro, faz-me gostar desta anatomia semelhante a algo invertebrado. O sexo deixa-me confuso, parecendo ter sido enxertado posteriormente, como se não fizesse parte de mim. É demasiado absurda a textura e a forma que o compõe. A pele dura e enrugada do escroto, assemelha-se a um excesso de algo que não consigo descrever e forma da glande apesar de artística, não deixa de o ser pelo fim a que se destina...
Gosto do pequeno botão situado no ventre... Algo muito mais, que um símples orifício ou razão estética, foi por ele que me desenvolvi, estando ligado na mais mágica e bela parte do meu desenvolvimento. Fica-me bem !
Os mamilos circundados por um círculo rosado, conferem-me altivez, personalidade e mesmo sensualidade. Senti-los e olhá-los no meu peito saliente, dão-me confiança e uma espécie de orgulho... Talvez doentio, talvez demente, talvez inusitado !
Sentir os braços, saindo-me dos ombros e assemelhando-se a dois ramos, movimentando-os a cada indicação do meu cérebro é algo único... Parece impossível conseguir mover algo com este comprimento, de certa forma pesado, suspenso e no fim ainda sentir e contorcer mais cinco pequenos membros, alternadamente, ao sabor daquilo a que me propuser e ás necessidades que me ocorram...
O que se situa acima deste tronco, é talvez a mais engenhosa peça, escondendo mistérios, ocultando ou salientando tudo aquilo que se sinta... Não a consigo descrever... Tudo parece perfeito, imperfeito, mas a utilidade e características próprias, deixam-me sem palavras para qualquer julgamento...
Tudo nesta anatomia que me compõe, se distribui pelo útil e pelo estético. Há que ser racional, encontrar o equilíbrio e perceber o porquê do interior não descurando o vísível... Entendendo o sentido de manchas, pormenores, vergões, saliências, pilosidades e até mesmo o odor humano libertado pelas toxinas que o fomentam...
Descubro-me lentamente num corpo herméticamente fechado, agressivo, feio mas ainda assim com um sentido e uma razão totalmente lógicos !

sábado, abril 17, 2004

Erótica...

Dispo-me de preconceitos e arrasto-me pelo sabor do teu corpo... A infinidade do desejo, do prazer e da procura, saciam a mais pura vontade de te consumir, de te possuir e absorver pelo gozo da carne. Terás um preço, uma oferta, algo bem elevado para me cobrares, por esse gesto nobre e em muito apetecido.
Somente direi que é simples atracção e desejo carnal de nos entregarmos. Perde-se o encanto do verdadeiro amor, porque nada mais existe que não seja um simples contacto. Não nego o prazer que sinto quando nos consumimos, quando entro em ti e pareces feita de um dilúvio doentio, pedindo-me mais e exigindo melhor... Parece irreal, sarcástico e mesmo demente. Fazê-lo por fazer não me atrai, não me faz sentir mais homem nem mais realizado.
Simplesmente alivio a vontade que o subconsciente me pede, descarrego a energia que o meu corpo necessita para se sentir bem, mas a frustração que advém é depressiva. Sinto-me bem, mas pouco satisfeito...
Visto e cubro a pele novamente, como se tivesse o serviço feito e me apetecesse sair desse ambiente o mais rápido e discretamente possível. Viro as costas, deixo-te prostrada depois de te usar e teres sido o meu utensílio para algo que buscava. Feliz, realizado ? Claro que não...
Não senti que houvesse algo sincero ou sentido. Foi o prazer do momento e sem pensar, fomos cedendo a uma vontade proibida de algo irracional e estranho. Foi bom para mim, mas não me importo contigo. Se te quisesses aproveitar e abusar de mim, poderias tê-lo feito. Foi para isso que nos submetemos a algo tão baixo e irrisório apenas para satisfação pessoal e nada mais. Também sei que para ti nada contou. Pagámos uma espécie de serviço a ambos com um simples copo, uma troca de olhares e uma forma telepática de pedirmos algo... Concordámos dessa forma pouco ortodoxa e sem regras, aceder a esse produto que cada vez mais se procura, mais se exige e mais se pretende. Gostaria de pensar de forma diferente, mas rendo-me ás evidências...
Basta-me sair á noite para encontrar respostas ás minhas dúvidas.
As ruas tresandam, o ambiente respira e alimenta-se de prazer e as noites evidenciam tudo isso..
Preciso de me estabilizar emocionalmente. Preciso sentir que não é só e apenas esse o sentido e a busca incessante na vida. Preciso encontrar o equilíbrio no amor, e nele descobrir as diversas formas de amar, de o fazer com sentimento, entregando-me realmente e sem receios, onde seja entendido e desejado.
Aí mostrarei verdadeiramente o que está para além do meu corpo. Aí, não só me despirei de preconceitos, mas soltarei um conjunto de sentimentos como uma dádiva, um sentimento de entrega e de verdadeiro prazer. Serei então feliz por receber, mas mais ainda por saber que me entrego na totalidade...
Sentirei prazer, sentirei o que é o amor...

quarta-feira, abril 14, 2004

Isolamento perfeito !

Por vezes ligo-me ao mundo, para recordar o teu rosto, lembrando-me no quão bela a maquilhagem te transforma e te faz tornar na Deusa guardiã dos meus encantos...
Única no teu género, conheço-te inteiramente, sei que o sabes... Ouve-me !
Quantas mentiras foram feitas com confidências, promessas...? Talvez essas mesmas mentiras não façam sentido e tenham sido inocentes...
Ainda assim, sou o único que sorri, que gosta de te ouvir... Sou a voz que te mantém quente, o abrigo para os teus medos. Estou a teu lado sentindo as emoções e nunca desistindo. Desculpa, mas não deixo de ser e pensar assim. A tua existência deixa-me mais forte e faz de mim um homem mais sensato e imune a certos males. E pergunto-me, sistematicamente pergunto-me o porquê de tudo isto? Quando choras, choro contigo, quando sorris, sorrimos ambos, se te sou próximo, porque te sou indiferente ?
Ouves-me ? Falas comigo ? Ninguém parece ouvir a minha prece. Oiço vozes, vozes silenciosas de sombras dançantes pelas paredes. Escondo-me perante a mente, quando as nuvens ocultam a claridade e a luz que me acompanha esmorece... Aqui repouso, num isolamento perfeito. Ouve-me chorar, neste recanto ... Depois de tanto tempo a tentar esquecer, continuo a olhar sobre os ombros e todas estas vozes interiores,silenciosas,continuam a fazerem-me pensar neste local onde me escondo...
Ouve-me chorar, sem lamentar, mas sente que ainda vivo...

Destino...

Quem guarda um segredo?
Quem premedita o destino ?
Quando irei descobrir...
Que mentiras pairam sobre mim ?
Quem carrega este conhecimento...
Para me dizer no futuro
Tudo o que pretendo saber ?

Por isso me levanto...
Por isso grito ao mundo
A razão do meu ser...

Sinto os poderes fora de alcance
Volto a tentar do início...

O destino chama-me...
deixando o futuro em aberto
Gritando com raiva...
que os poderes me fogem
e absorvem em concreto.

Seguro a alma com as mãos
O Futuro é cada vez mais passado...
Sem luz e mal encadeado...

Quem me iluminará o caminho?
Agora que luto sozinho...
O passado persegue-me
O amigo é inimigo...
O medo, meu vizinho !


Noites de lua cheia...

Sonhos, estórias e contos de lobos... lobos que se vestem de pele humana e se consomem perante reconditos lugares da nossa mente. Lobos que são homens, que buscam a carne e recusam ver a luz que os cega e lhes permite apenas ver a infindável e abominável sensação de ódio e desespero. Buscam algo para lhes colmatar o vazio...Vazio esse que lhes assola o interior e os torna sequiosos por um banquete mórbido, doentio e puramente divinal. Deixam de lado a existência humana, vestindo uma máscara possessa de um misticismo crú, assustador, mas ainda assim extremamente apetecível. Muitos insistem em não rasgar essa pele, insistem em ser lobos, mas jamais o tornarão a ser. Trevas de lua cheia, doces, azíagas, vetadas a um cenário dantesco e perante um mesmo céu são deixadas ao acaso. Deixam que a transformação ocorra e com ela tudo lhes dê na mais completa razão de imortal,surreal mas carregada de simbolismo e razão de ser. Buscam o sangue perante um uivar, um sinal de alerta, de presença de espírito, para que sintamos que não são apenas vozes de animais, mas gemidos e gritos de uma dor e raiva interior que em tudo são humanos. Sonhos de memórias de lobos que rasgam a pele, esperam pela carne e recusam a luz que os cega, os detém e os proibe de se elevarem a um estado superior. Talvez sejam memórias de homens, que tentam ser lobos, mas nunca o conseguirão ser... Debaixo do mesmo céu dessa lua cheia, encontramo-nos todos... Lobos, humanos ou simples criaturas de Deus, mas aquando da necessidade de nos soltarmos, rasgarmos ou abrirmos o nosso corpo porque não o suportamos,o fraco nível da nossa força interior leva-nos a um ínfimo crepitar de dúvidas e a um altar elevado que tanto prazer nos dá... É nesse altar, perante o cenário assombroso da lua cheia que nos sentimos bem, que nos disfarçamos e nos permite sequiar os nossos prazeres. Ensinar-te-ei maravilhas, se depois dessa libertação atingires o pecado, me entregares a alma... Dar-te-ei um mundo de sonho, de possessão e libertação... Ensinar-te-ei como transformar qualquer vil metal no mais precioso ouro e como a vida se estenderá rumo á imortalidade e á indiferença... Liberta-te e perante um uivar assustador tendo a lua como testemunha, serás enorme...

terça-feira, abril 13, 2004

Partida !

Talvez numa outra vida te possa encontrar, ser arrastado antes do tempo...
Não conseguir entender, pela dureza, injustiça e parecer que o paraíso se encontra tão longe distante e inalcançável... Todo o meu mundo gelou e desmoronou com a tua ida...
Talvez as flores ainda demonstrem a minha preocupação, carinho e lembrança. No entanto, não serão elas que me irão devolver tudo aquilo que me foi retirado e perdido. Ergo as mãos, alcanço os céus e grito o teu nome, mas acredita que se tudo isto pudesse ser trocado, não hesitaria um só segundo...
Parece que o paraíso se encontra impossível de atingir agora com a tua ausência. Mete-me nojo este mundo em que tropeço e cambaleio sozinho, porque não tenho o teu apoio nem a tua presença...
Erguer os meus braços bem alto, tentando aliviar a minha dor e desespero numa sentida homenagem, não faz sentido. Apenas me aguça a ferida e o sofrimento em que me encontro. Nada parece justo, nada parece fazer sentido, nada mais existe agora que não estás comigo...
Ainda assim, dentro das minhas fraquezas, encontro a força suficiente para me levantar, curvar diante de ti e lembrar com saudade a marca deixada no nosso espaço, enquanto estivemos juntos... Obrigado pelas maravilhosas memórias !